Correr sozinha exige atenção: planeje rotas, avise alguém, varie horários, reduza riscos e use monitoramento para treinar com mais autonomia e segurança.


Correr na rua é um hábito saudável e relaxante que tem ganhado cada vez mais adeptos no mundo todo. Mas para muitas mulheres, também se torna um momento de vulnerabilidade. Segundo a pesquisa Global Running Survey, 42% das corredoras já sofreram assédio, e mais de 30% afirmam mudar rotas, horários ou hábitos para evitar situações de risco. Elas fazem parte de um grupo de pessoas que já sabem que pequenos ajustes na rotina fazem uma diferença enorme na sensação de segurança.
Este guia reúne práticas utilizadas por atletas e especialistas em prevenção e monitoramento de risco. Nosso objetivo é ajudar a pensar em estratégias que combatam o medo e possam ampliar a autonomia.
Escolha caminhos com fluxo de pessoas, presença de comércios, boa iluminação e áreas abertas. Evite trajetos longos de mato, trechos isolados, parques muito desertos ou passarelas estreitas. Se possível, tenha sempre duas rotas em mente: uma principal e uma alternativa para imprevistos.
Comunique a alguém de confiança seu horário de saída, para onde você vai e qual é o tempo estimado para voltar. Se houver atrasos além do normal, essa pessoa já terá a informação necessária para agir rapidamente, e isso reduz o tempo entre um risco e uma resposta.
Peças claras, faixas refletivas e acessórios luminosos aumentam sua visibilidade. Mesmo em ruas iluminadas, motoristas e ciclistas podem ter pontos cegos. A regra é simples: quanto mais você aparece, mais segura está. Evite roupas escuras em treinos noturnos, especialmente em vias com iluminação irregular.
Ouvir música é parte do prazer da corrida, mas seu corpo é seu primeiro radar de segurança. Volume alto demais bloqueia ruídos essenciais, como aproximação de passos, motos ou bicicletas vindo por trás e mudanças súbitas no ambiente.
E aqui está o ponto mais importante: manter o volume baixo preserva a sua atenção situacional, isto é, a capacidade de perceber o ambiente ao redor, avaliar riscos rapidamente e identificar sinais de alerta antes que algo aconteça. Essa consciência do ambiente é uma das principais defesas de qualquer pessoa em movimento. Se quiser usar fones, prefira modelos que não isolam completamente o som externo.
Documentos essenciais, chave e celular. Só isso. Evite bolsas grandes, joias ou qualquer item que possa atrair atenção ou dificultar sua mobilidade. Pochetes ajustadas ao corpo são as mais seguras para quem quer correr com conforto.
Rotinas muito previsíveis facilitam abordagens. Sempre que possível, alterne horários, rotas e pontos de partida e chegada. Essa variação reduz drasticamente a chance de alguém observar seu padrão de treinos.
Treinos em horários de menor movimento, como cedo pela manhã ou após as 20h, podem ser mais arriscados. Por isso, ferramentas de monitoramento são um apoio importante. Elas ajudam porque a) registram o início e fim do trajeto, b) permitem monitoramento preventivo, c) acionam alertas se você ficar mais tempo que o esperado sem responder e d) facilitam o contato com redes de apoio. Soluções como a Cuida de Mim permitem que, se algo sair do previsto, alguém saiba o mais rápido possível.
Não se esqueça: Prevenção é cuidado, e cuidado é o que deixa nosso passo mais leve.